<meta name='google-adsense-platform-account' content='ca-host-pub-1556223355139109'/> <meta name='google-adsense-platform-domain' content='blogspot.com'/> <!-- --><style type="text/css">@import url(https://www.blogger.com/static/v1/v-css/navbar/3334278262-classic.css); div.b-mobile {display:none;} </style> </head> <body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/platform.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar/8419875139932861707?origin\x3dhttp://flechafarpada.blogspot.com', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

flecha farpada

aboutlinksarchives
FOLLOW MY BLOG
domingo, 27 de dezembro de 2009
Substrato do Abstrato. / 08:24

Quando saiu do banho, já sabia o que ia fazer.
Não tinha jeito - ou ela fazia, ou fazia.
Bem feito, porque deixou chegar àquele ponto? Terá que recomeçar do zero.
E terá que recomeçar agora, não poderá adiar.
Pegou o gilete - ele era rosa, e antes servia apenas para se depilar.
Agora ele tinha outras utilidades, mais lisongeiras.
Um corte. Dois. Três.
No começo sempre era assim, ela não sentia. E exagerava.
Quatro. Cinco. Seis.
O primeiro corte finalmente se fazia presente.
No começo era só um fiapo de dor, depois ia aumentando.
O segundo aparece. O terceiro, o quarto, o quinto, o sexto.
Agora tudo doía.
Ela se arrependia de tê-los feitos. Ou de, pelo menos, ter feito tantos.
Mas ela não tinha tempo para pensar, o sangue saía rápido.
Ela pegava papel higiênico para limpá-lo, mas ele acabava grudando na ferida.
E doía. E ardia. E machucava.
Jogava o papel fora, sempre com cuidado de esconder o sangue, para ninguém ver.
Olhava para seu machucado - um ferimento que ela mesmo causara.
Apesar de tanta dor, e de um começo de arrependimento, ela os olhava e achava que merecia mais.
Em sua cabeça, já começava a pensar nos próximos.
Mais um, ou dois, ou três, ou quatro.
Ou cinco, ou seis.
Nunca era demais.
Apertava seu pulso com a outra mão, para disfarçar enquanto saía do banheiro e ia até o quarto pegar um band-aid.
Com o outro braço, o machucado, abria a porta.
Sorria, numa tentativa de enganar a própria mãe, que estava na sala mexendo no computador.
A mãe não prestava atenção nela, e a garota finalmente pode entrar em seu quarto, para encarar seus demônios novamente.

Primeiro não se sente, depois dói, e então passa.


"Quero pesar feito cruz nas tuas costas.
Que te retalha em postas, mas no fundo gostas quando a noite vem."

Marcadores:


about
i my me mine.

"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir."




Vanity isn't a sin, a little narcissm wouldn't hurt.